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Algumas Reflexões Motivadas pelo Acidente com o Duto de Gasolina no México

 

Algumas Reflexões Motivadas pelo Acidente com o Duto de Gasolina no México (Jan. 2019)

Luiz Fernando Seixas de Oliveira

Um acidente como este causa enorme consternação em todo o mundo. Todos pensamos nas vidas bruscamente interrompidas pelo acidente e pela enorme dor que causa nas famílias afetadas. Tenho certeza que, quanto a isso, estou falando por todos os associados da ABRISCO.

Como profissionais de análise e gerenciamento de risco, não devemos deixar passar em branco uma tragédia como esta. O mínimo que podemos fazer é tentar aprender o máximo que pudermos com o ocorrido e utilizar essas lições aprendidas para aprimorar as nossas técnicas de análise, bem como os nossos métodos e procedimentos de gestão de riscos de processo. É com este objetivo que estou colocando essas primeiras ideias neste documento. Espero com isso estimular as discussões para o nosso aprimoramento técnico e gerencial, visando reduzir a probabilidade e as consequências (ou seja, o risco) desse tipo de acidente no Brasil e no mundo.

Seguem abaixo algumas reflexões técnicas e algumas gerenciais motivadas pelo que pude observar até agora do que ocorreu neste trágico acidente com o duto de gasolina no México. De um modo geral, as ideias ainda não estão bem pensadas, mas as estou colocando aqui para incentivar mais discussões sobre o assunto. Estou escrevendo sem grandes preocupações de montar um texto que tenha grande fluência e total coerência. Mais ou menos estou escrevendo como as ideias estão aparecendo na minha cabeça, sem um ordenamento bem estruturado, por isso, peço que me desculpem se algumas ideias não estiverem totalmente claras e coerentes. O fato é que também ainda não as tenho claras e coerentes na minha cabeça.

Coloco inicialmente algumas questões que considero interessantes para uma reflexão do ponto de vista técnico, tendo em vista as práticas de simulação e avaliação de cenários como esse nas nossas análises de risco. Em seguida, faço algumas reflexões sobre as medidas gerenciais de controle ou mitigação de um acidente semelhante aqui no Brasil.

Algumas questões técnicas (os valores indicados são apenas estimativas preliminares mais ou menos grosseiras):

  • Quais foram as dimensões da poça de gasolina formada no solo?
    • A partir das marcações que fiz na foto aérea do local mostrada na Figura 1, chego à conclusão que a poça de gasolina teve entre 60 e 85 m de comprimento (trecho horizontal marcado em vermelho) por 10 a 12 m de largura, correspondente a uma área de 600 a 1000 m2 ou a uma poça circular de 30 m de diâmetro.
  • Ainda não fiz nenhuma simulação com o SAFETI para ver que dimensões obteria para uma nuvem de gasolina a partir desta poça ou o próprio fluxo térmico da poça uma vez ocorrida a ignição. Mas é interessante observar a partir das fotos anteriores e posteriores à ignição da nuvem que havia muita movimentação de pessoas e veículos nas estradas que passavam em volta da região do acidente, mas não dá para se precisar o número. Por essas fotos, parece que a nuvem de vapor de gasolina não tenha chegado a um alcance máximo maior do que uns 50 metros. Pelos efeitos na grama e no solo nas proximidades da poça parece que o fluxo térmico de intensidade significativa não passou de uns 20 a 25 metros no máximo. Como disse, ainda não fiz as simulações desse acidente, mas tenho a impressão que os resultados das simulações serão maiores do que esses valores.

ESSE ARTIGO TEM 6 PÁGINAS. PARA ACESSAR O RESTANTE, BAIXE O ARQUIVO EM PDF QUE ESTÁ EM ANEXO. Obrigado.

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Luiz Fernando Seixas de Oliveira

Especialista em risco e confiabilidade com 40 anos de experiência no Brasil e no exterior, tendo sido pioneiro na aplicação de análise de risco e confiabilidade no Brasil.

PhD em Engenharia Nuclear pela U.C. Berkeley, em 1979. Foi por 13 anos professor da COPPE/UFRJ. Trabalhou por dois anos no Laboratório Nacional de Brookhaven nos EUA. Fundou a PRINCIPIA Engenharia, a qual foi adqui­rida em 2000 pela DNV GL.

É Vice-Presidente da DNV GL, e atualmente Gerente do Centro de P&D da DNV GL no Rio de Janeiro. É autor de mais de 120 trabalhos técnicos publicados em revistas e conferências. É Presidente da ABRISCO.

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2 comentários

  • Aldo Marques
    postado por Aldo Marques Sexta, 25 Janeiro 2019 17:54 Link do comentário

    Excelente artigo! Parabéns!

  • João Paulo Nominato de Oliveira
    postado por João Paulo Nominato de Oliveira Quinta, 24 Janeiro 2019 12:12 Link do comentário

    A partir dessas reflexões, principalmente as gerenciais, fico me questionando sobre a responsabilidade das empresas com relação a segurança pública em caso de ocorrência de eventos como esse, e como o sistema de gestão das empresas estão estruturados e implementados para lidar e gerenciar os riscos decorrentes de suas atividades para a população.

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